
Ele nasceu normal, via o mundo como só a ótica infantil permite. A experiência de vida praticamente inexistente o tornava inocente. Os homens assemelham-se com o histórico de seus pais e com ele não foi diferente. Ele cresceu e mudou. As influências que recebeu dos seus pais ao longo dos seus primeiros anos de vida foi o tornando cego. É na educação dos filhos que se mostram as virtudes dos pais, mas também os defeitos. O seu pai não era dos mais virtuosos.
Mas ele não culpava apenas os seus pais, ser cego para ele era uma opção de vida, ele optou por ver a vida de outro jeito: de jeito nenhum.
No começo da vida adulta ele já enxergava muito pouco, com o passar dos anos e com o início das suas próprias experiências a sua visão foi diminuindo, diminuindo até que quando foi ver... ele não estava vendo, já estava cego.
Tão cego que se considerava mudo. Ele sentia que já não podia falar, se sentia oprimido, incompreendido. Quando falava era acusado de preconceituoso. Quanto absurdo, pensava ele.
Tão cego que já estava surdo. Já não mais compreendia como o mundo funcionava, não ouvia os outros. O mundo era o mundo dele, nada mais. Fechado em si mesmo para qualquer opinião externa.
Ele era totalmente cego, cego para o mundo: era incapaz de ter uma atitude altruísta. Não via o outro como digno dos meus direitos que ele. Não encarava o diferente como parte integrada do todo que ele também fazia parte. Era um idiotizado.
Ele era totalmente cego, cego para os próprios defeitos: não se considerava cego assim como jamais um vilão do cinema proclamou-se vilão, nem o idiota se diz idiota.
Ele foi cegado pelo preconceito, pelas influências do meio e por si mesmo. Coitado, os cegos de preconceito ainda vêem menos, que os cegos por nascimento.
AJUDEM-NO, ELE ESTÁ CEGO.
Será que vamos ter outra revolução de 32?
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