O capitalismo, como qualquer outro sistema político que já existiu na prática, consiste de um pequeno grupo que domina o resto das pessoas. Com o surgimento de uma alternativa, os capitalistas(ricos) do mundo passaram a ceder concessões aos dominados a fim de evitar a queda do seu domínio. Só que o capitalismo tem outra característica interessante. As crises cíclicas.
A ideia é simples. Se o rico investir o dinheiro na economia, o dinheiro se multiplica. Sim. Simples assim. Pergunte a qualquer um o que faria se ganhasse na Mega-Sena. "Deixava rendendo no banco". Essa é a ideia. Investir para multiplicar "magicamente" o dinheiro. Pois bem, de tempos em tempos a mágica falha. Mas existe uma premissa do capitalismo que não se pode ignorar, e é exatamente a premissa da dominância.
Explico: Como a maior parte do capital(cerca de 80%), financeiro ou não, está nas mãos do grupo dominante, todo o resto da população depende dele para sobreviver. Pois se esse capital não for reinvestido para gerar empregos e pagar salários a população NÃO TEM outro meio de sobreviver. Sim. Você depende deles para sobreviver.
Portanto, a lógica é simples. Se o sistema está em crise, se está faltando dinheiro, se não conseguimos mais criar empregos, então, como disse hoje Delfim Neto, ex-ministro da fazenda dos militares, na Folha de São Paulo: "apertem os cintos". E ele não está se dirigindo aos ricos que tem lanchas e mansões na Côte D'azur. Ele está se referindo as 90% das pessoas que trabalham. Você vai pagar mais impostos para bancar o rombo. Você vai perder direitos trabalhistas. Você pode até perder o seu ÚNICO meio de sustento.
Bom, mas essas crises passam. Achamos que a culpa de tudo é do governo e voltamos a acreditar na mágica de novo. É o que eles chamam de "volta da confiabilidade nas instituições financeiras". E o circo recomeça. Nem nos damos conta de que quem pagou a irresponsabilidade fomos nós."Vida que segue", diria o saudoso João Saldanha.
Mas não é isso que está acontecendo dessa vez. Parece que todas as crises anteriores foram deixando um pouquinho de déficit nas maiores economias capitalistas do mundo, que dessa vez insistem em não se recuperar. Então começa a austeridade. Com quem trabalha é claro.
Enfim, muitos dirão que o capitalismo é o melhor que nós temos por enquanto. Mas será que já não está na hora de debater alternativas? Será que não devíamos procurar talvez um capitalismo mais humano, mais igual? Até quando você, que tem mais de 90% de chance de ser um dos que aperta os cintos quando isso acontece, vai bancar aquela mansão linda na Côte D'azur, mas se esquecer disso depois que puder comprar o novo iPhone?
Fico tentando encontrar o ponto histórico onde deixamos de fazer escambo como nossos índios fizeram com os portugueses. Mas não consigo encontrar.



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