Envelope à mão vem o médico. Malabarismo entre dedos com papel marrom para ele. Olhos baixos e feições tristes para mim. Leucemia. Afundo na cadeira de couro negro. Acharemos um doador. Quando? Não sei. E agora? Internação até encontrarmos um doador compatível. E o que eu faço até lá? Fica no quarto. Sem contato físico. Tudo bem. Morei anos em São Paulo.
A falsa modéstia. O perdão ressentido. A inveja contida. O amor estrangulado. Cães mortos no asfalto. Mendigos vivos na rua. Amor de verdade fraco. Dominação forte. Carência. Muita Carência. Falsa simpatia. Falsos deuses. Falso cristão. Compaixão. Ah! A compaixão! Humano! Demasiado humano! O macaco uma vergonha. O leão um ideal. Camelos estalando cascos pelo asfalto enquanto chora em seu quarto mais uma mulher abandonada.

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