Loucos de Palestra
Pensamentos soltos de pseudo-pensadores do pensamento livre.
segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
Dragões em São Paulo!
terça-feira, 21 de dezembro de 2010
Tempo, tempo, tempo

Não há tempo. É tudo muito curto, inclusive o tempo. O tempo do pensamento é breve como a eternidade. Resta tão pouco da eternidade em mim, eu só tenho o agora.
Eu só tenho hoje para dizer tudo que quero.Todas as minhas angústias e inseguranças. Só tenho hoje para despir a minha casca de forte. Preciso me mostrar para o mundo, mas resta tão pouco de mim. Talvez eu já tenha perdido aquilo que quero para os braços de outro. Talvez não dê mais tempo de recuperar.
Tempo: o imensurável desejo de todos nos.
Tempo: forma de me atrelar ao passado que eu não consigo idealizar. É engraçado como as pessoas fazem isso o tempo todo, recordam-se do passado como se ele tivesse sido grandioso. Tomando para si realizações e situações que nunca aconteceram.
Tenho a imaginação curta, o meu passado é só o meu passado. Não é, infelizmente, dos mais emocionantes. Alguns momentos bons, sem dúvida, que fazem a minha vida parecer de outro. Aquele dia, aquela festa, aquela mulher. Não parecia eu, mas era. Eu já me perdi no que eu quase nunca fui. Já não resta nada a fazer.
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
Mr. K vai ao Hospício
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
Fluxo-Floema

Eu queria tanto me encontrar, descobrir quem de fato eu sou. Eu mudo tanto. O que eu sou? Sou o que fui ontem? Ou aquilo que sou hoje? Talvez eu seja aquilo que serei amanhã, o que significa que de fato eu nunca fui. Talvez eu seja todos, talvez não seja ninguém. Quem sabe eu sou o amor que senti por ela ou o ódio que tenho de mim? A minha alma é tudo, é o leitor destas linhas. É a digestão de tudo e de todos que passaram pela minha vida. Sou Imperador e mendigo
Eu quero ser você leitor, mas você é tão diferente. Não quero ser diferente, eu tenho medo. Tenho medo de mudar (apesar disso acontecer o tempo todo), de não mais me reconhecer no espelho. Tenho medo de não ser mais eu. Eu tenho medo, acima de tudo, do seu julgamento. E se eu não for mais eu, sou alguém? Quem? Você? Não, já falei que não quero. Eu quero ser menos.
Eu quero ser... um rato, a vida do rato é tão mais tranquila. Andar por ai sendo rato... assustando os outros. O mundo me assusta tanto, agora eu quero dar o troco. Sujo como um rato, feio como um rato, miserável como um rato, pensando bem já não me falta muito. Não sendo somente rato, eu sou totalmente rato. Tão rato como ela é minha, tão rato como a crença que tenho em Deus.
Talvez Deus seja um rato, um rato que eu matei a livradas. Um rato que matei dentro de mim por inanição de fé. Me apavora ter um rato morto barbudo, peludo e dilacerado na minha frente... morto. Quanta heresia, Deus... Heresia...? Se Deus não tem cara, eu posso imaginá-lo como eu quiser. Pra mim, Deus é um rato de longas barbas brancas e ponto. E eu sou a imagem e semelhança de Deus.
Logo eu que me julgava pronto pra Deus, não estou. Ninguém está. Não a transcendência capaz de alcançar o inexistente nem a minha imagem de Deus rato. Eu matei Deus matando a mim mesmo. Ou será que inventei Deus? Será que eu me inventei? Será que, por ser covarde, inventei a morte? Não, isso seria demais para um rato (será que os ratos criam os seus próprios deuses?).
O amor que senti por ela é um amor rato. Amo a costela de um rato. Amo um sonho de rato: um queijo qualquer, por mais improvável que pareça. Sonhos são improváveis, por isso são sonhos e não realidade. Todo mundo sonha. Alguns querem queijo, outros império. Eu quero o universo. Quero ser o Deus rato deste universo rato. Eu a quero. Ela que é tão linda que me faz sentir humano, que faz Deus se sentir DEUS, O CRIADOR. Tão linda que apenas o silêncio pode homenageá-la.
Amo a figura de alguem que é ela ou a figura que eu acredito ser ela, mas que não é. O que pode ser mais emocionante do que se descobrir rato? Descobrir que se ama a uma rata? Vê-la passar rata e não poder gritar? Estar a passos da vida que julgo perfeita e saber que simplesmente eu posso nunca alcançá-la?
Para a vida perfeita, talvez tenha que matar um rato por dia ou um DEUS por dia. Talvez eu tenha que cometer um sacrifício por dia e isso resulte na minha morte. Talvez eu tenha que conviver com o meu caos interior. Talvez eu ainda tenha que viver com o caos dos outros. Talvez esse seja meu papel na sociedade (Eu tenho um papel na sociedade?). E qual seria o papel dos ratos na sociedade? Talvez ser rato seja tão complexo quanto ser humano, talvez não.
Quer saber a verdade? Eu tenho nojo de rato.
sábado, 27 de novembro de 2010
O Dia Mais Importante da Minha Vida
Hoje é o dia mais importante da minha vida. Sim, pelo menos até agora, não existiu nada semelhante em toda a minha existência. Durante um ano, dediquei horas e mais horas só para que tudo desse certo nesse momento. Sacrifiquei parte de minha juventude. Festas, mulheres, amigos... Deixei um pouco disso tudo para trás, só para que eu pudesse viver esse dia. E ele finalmente chegou.
Hoje, é o tudo ou nada. Toda a preparação vai se resumir a alguns instantes. Acordarei cedo, colocarei a melhor roupa. Vou me alimentar bem e ficar bem relaxado.
Esse ano inteiro me dediquei a tornar tudo melhor. Fui um perfeccionista.
Hoje, eu vou pedir a mulher que eu amo em casamento.Vou amá-la e mimá-la e amá-la, do amanhacer até o almoço. Então, com um frio no estômago, pedirei com a voz ensaiada, mas tremida, para que ela seja eternamente minha.
Se a resposta de 10 segundos for negativa, vai ser uma dor imensa. Ela vai arrancar de mim o equilibrio e gritos de dor. Vai rasgar meu peito e meu rosto de sangue e lágrimas. Ela, é tudo o que eu quero.
Mas ela nunca vai tirar de mim o que eu já vivi. Todo o ano de preparação, o suor transmutado em ouro, a insônia em poema. A angústia do dia anterior em amor. Muito amor.
Mesmo que nunca mais a veja, eu tenho certeza que valeu a pena
Se ela disser não, será um dia de dor que me esquecerei. Mas um ano de muito amor, que estará sempre marcado em minha memória.
É confuso, eu sei. Mas assim é a mente humana. Capaz de contestar até a si mesma. Certezas? Tenho poucas. Uma delas é que eu vivi. Amei, sofri, chorei. E só eu sei, o quanto a vida me deu.
Como dizia o poeta:
"Quem já passou por essa vida e não viveu
Pode ser mais, mas sabe menos do que eu
Porque a vida só se dá pra quem se deu
Pra quem amou, pra quem chorou, pra quem
sofreu..."
E cá entre nós. Na lógica do poeta, ninguém sabe mais da minha vida, do que eu.
quinta-feira, 25 de novembro de 2010
Quem escreveu este texto?

Sempre tive curiosidade a respeito do processo criativo. O que leva uma pessoa a escrever algo? O que é inspiração? Até que ponto o que escrevi é realmente meu? E ate onde os meus textos são apenas frutos de tudo que vi, li e vivi, não sendo assim inteiramente meus?
O processo criativo para mim não é um processo, é um ato. Eu sinto que os meus textos, se é que posso chamá-los de meus, vêm praticamente prontos até mim com começo meio e fim. Acho que posso chamar isso de criatividade, aquilo que nos presenteia com um texto pronto às vezes e outras, simplesmente, insiste em não aparecer.
Um texto é quase humano, tem vontade própria, não permite que eu me intrometa no seu destino, às vezes parece ser meu filho. Sempre me lembro de uma história que ouvi certa vez a respeito de um crítico literário do Sul que decide escrever um livro que tivesse um final feliz. Escrevendo o final do livro, a sua personagem principal comete suicídio. Ele não gosta desse final e tenta reescrevê-lo várias vezes e de várias formas, não obtendo sucesso. A personagem sempre, de uma forma ou de outra, acabava se matando no final. Ele depois de tantas tentativas frustradas desiste, não há como lutar contra a natureza dos textos. Eles são vivos, sabem o que querem.
Às vezes, eu tenho certeza que os textos não são meus, me vêm praticamente prontos, quase psicografados. Ao produzi-los começo a pensar a respeito de um monte de coisas sobre as quais eu nunca tinha pensado antes, apesar de estarem o tempo todo dentro de mim. Escrever é abrir uma oportunidade quase única de diálogo com o meu interior. Ele que quase sempre vive mudo e quando fala me emudece e me muda. Dessa forma, eu muitas vezes sinto que não sou eu o responsável por escrever as minhas coisas, são elas que me escrevem.





