sábado, 30 de outubro de 2010
Carta de Amor
Eu poderia te dizer que o mundo é belo e que as pessoas vão te respeitar. Eu poderia dizer que não importa como você é, as pessoas vão gostar de você. Eu poderia também dizer que tudo só depende de você e da sua força de vontade. Mas eu estaria mentindo.
Eu queria destruir tudo o que te ensinaram e te mostrar como eles estavam errados. Queria quebrar cada convicção que você criou no que eles te contaram e abrir os seu olhos para um mundo melhor. Queria te mostrar que a humildade é a virtude dos fracos, que sentir pena é ser mal e que seu melhor amigo é também seu melhor inimigo, e queria que você entendesse e abraçasse isso. Desejo isso como o leão deseja a carne da gazela, e o sangue também. Te espreitei, te provei e voltei a te espreitar. Por entre densas matas te persegui aos poucos e fui conhecendo seus atos, fui conhecendo você. Agora quero destruir esse espírito de gazela para renascer uma leoa. E faço isso porque te amo. Te amo pois vi esperança, pois acredito, que você não quer mais ser gazela.
Te pegar no colo e te mostrar um mundo diferente desse, percorrer vales e montanhas, lagoas e mares, céus e estrelas. E quando voltar para o seu mundo quero vê-la de boca aberta exclamar palavras de terror, e me abraçar forte, e me pedir para voltar. E eu te levarei de volta para nosso novo mundo, onde somos criadores de coisas boas, de pessoas boas, e vamos construir casas, e vamos ter filhos, e vamos povoar o nosso mundo de coisas boas. E toda vez que o outro mundo olhar para o nosso vai sentir dor e inveja, porque lhes falta coragem para mudar, porque é preciso destruir para criar, e ninguém os ensinou a destruir.
Então nos olharemos durante o dia, quando o sol aparecer para nos iluminar, porque ele sempre aparece, e vamos rir de nossos pensamentos, e vamos nos beijar com a luz do sol tocando nossas faces, porque é bonito assim. E vamos levantar e nos deitar sabendo que estamos nos tornando melhores à cada dia, e a cada dia, estamos criando mais e mais coisas boas.
Por fim, nos olharemos uma última vez, com o sol se pondo, e vamos nos orgulhar do mundo que criamos, você e a sua virtude, eu e a minha, e vamos rir abraçados enquanto o sol se põe, porque ele sempre se vai, e nos beijaremos à luz da lua, enquanto morremos felizes, porque é bonito assim.
quarta-feira, 27 de outubro de 2010
Espasmos

Pernas, beijos, braços, pêlos e abraços
Ritmo cadenciado que os corações
Descompassa em um fundir de laços
Que geram as mais gozadas sensações
Pega, roda, força, prende e esfrega
Ações que rancam suplicas de mais
Contração involuntária que cega
E de repente só se houve "Ais"
Apenas breves segundos de gritos
Anexados a imensos grunidos
De almas arfantes que se afastam
Pedras tombadas, caídas, exaustas
Faces desformes de quem acabou de ver
O momento em que findou o prazer
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