domingo, 14 de novembro de 2010

Aquarela



Borrões
Tudo o que eu via eram borrões

Já havia tomado algumas garrafas de vodka boa
e mesmo depois de dançar a noite inteira,
ainda queria mais

Você sabe que bebeu a quantidade certa
quando enxerga borrões,
dança feito fumaça
e quer mais, sempre mais

Foi uma daquelas noites de sorte de um homem
daquelas que só acontecem uma vez
na vida de uma pessoa normal

"O Cara"
Eu era "O Cara" da noite

E isso quer dizer que todas as piranhas
queriam um pouco do papai aqui
sabe-se lá porquê

E foi saindo dessa festa que eu vi
Era um borrão loiro, mas bonito
amarelo e vermelho, um belo borrão
o borrão mais lindo que já conheci

Fiquei estático, apaixonado, louco
tudo o que eu queria era mergulhar
naquela aquarela

Cego
O amor é cego

Me aproximei e disse alguma coisa
ela respondeu com a voz mais doce que já ouvi
estava cansada e entediada, queria ir embora

Mas que droga Aquarela, vamos dançar!
não acredito em deusas que não dançam
não posso acreditar, é uma heresia
um absurdo medonho!

Aquarela foi embora, sem dançar
e eu, louco apaixonado
amando um borrão colorido
de voz suave e doce
uma deusa que não dança
um arco-iris de azar
um espelho de sorte
esperando, como à morte
e beijando por esporte
borrões que dançam
mas que nunca vou amar


Não acredito em deusas 
que não dançam
aquarela me fez acreditar
pois bastaram cores 
para esse louco poeta
amar mais uma vez
pois na memória ficou gravada
com uma certa turbidez
quase nada de lucidez
as cores dessa deusa
que eu roubei para pintar


Amor doce e louco
colorido, insano
do que mais precisa um homem?


Dançar...
Aquarela não dança

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