sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Sentido

Arranque meus olhos!
Escuridão
não mais verei as belas moças
peitos, bundas,
pinturas, livros, ladrões

Fure meus tímpanos
silêncio
pássaros, cachoeiras?
Carros, caminhões?
Cochichos ao pé do ouvido?
Ainda aí estão?

Corte a língua
insosso
sal, mel, leite?
Veneno, estragado, bom?
Bocas e peles e pêlos por que não?

Tire de mim também
esse nariz e essa pele
deixe-me descobrir o que sou
de verdade

Espírito? Amor? Nada?
Na dúvida, me deixe a língua
para a amargura de bebidas enebriantes
adoçar minha insensível solidão

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